SOCIEDADE ORQUIDÓFILA NO SÉCULO XXI
Raimundo Mesquita
Função
social
Qual
é a função social de uma sociedade de colecionadores
e cultivadores de orquídeas?
a) Atividade que, se levada a sério, propicia importantes conquistas
culturais e, sobretudo, aguça o senso estético que, como
se sabe, é um caráter eminentemente humano;
b) Permite momentos muito favoráveis de lazer, necessidade humana
fundamental;
c) Desenvolve a criatividade e a capacidade de superar obstáculos;
d) Permite a convivência entre cultivadores e colecionadores para
troca de experiências e conseqüente enriquecimento cultural,
gerando, como resultado, sólidas e fraternas amizades.
Objetivos
ideais em confronto com os reais
Os
ideais ou Propósitos
Uma grande quantidade de estatutos ou declaração de princípios
de associações orquidófilas tem entre os seus preceitos:
a) o estudo e a cultura das orquidáceas;
b) lutar pela preservação e perenização das
espécies em seu meio ambiente;
c) mapear os habitats brasileiros, pesquisá-los, identificar e
classificar gêneros e espécies naturais;
d) reproduzir espécies, por semeadura e clonagem, e executar programas
de sua reintrodução em seus habitats;
e) promover estudos, desenvolver práticas e manuais de cultivo,
fertilização, hibridação e de combate a pragas
e doenças;
f) levantar e reconstituir a história da orquidofilia brasileira;
g) executar programas culturais voltados a despertar o interesse pela
orquídea, através de exposições de plantas
floridas, elaboração de cursos, debates, simpósios,
conferências e congressos, como ainda pelo intercâmbio com
sociedades congêneres, universidades e meio científico;
h) promover a melhoria dos padrões de qualidade, ministrando cursos
de julgamento de plantas e flores, assim como formando e aperfeiçoando
juizes e comissões julgadoras, inclusive pela elaboração
de manual de normas de aferição de qualidade e de premiação;
i) produzir publicações técnicas, inclusive periódicas;
j) congregar orquidófilos e orquidólogos e estimular o espírito
associativo entre os seus sócios, executando programas de aperfeiçoamento
técnico, assim como atividades sociais em caráter permanente;
k) prestar assistência técnica e científica a quantos
dela necessitem;
l) defender o interesse dos seus associados, no tocante a cultivo, nas
modalidades amadora ou profissional, produção e comércio
de orquídeas e representá-los, sempre que tal se faça
necessário e legítimo, perante autoridades públicas,
juizados e tribunais.
Os
Reais ou o que é possível fazer
Devemos levar em consideração que uma sociedade orquidófila
não é uma academia, um centro de estudos, mas um local onde
amadores de orquídeas se reunem para conversar, aprender, trocar
experiências.
Parece, em suma, ser possível enunciar quais os seus verdadeiros
objetivos:
a) o estudo e a cultura das orquidáceas;
b) reproduzir espécies, por semeadura e clonagem;
c) promover estudos, desenvolver práticas e manuais de cultivo,
fertilização, hibridação e de combate a pragas
e doenças;
d) levantar e reconstituir a história da orquidofilia brasileira;
e) executar programas culturais voltados a despertar o interesse pela
orquídea, através de exposições de plantas
floridas, elaboração de cursos, debates, simpósios,
conferências e congressos, como, ainda pelo intercâmbio com
sociedades congêneres, universidades e meio científico;
f) promover a melhoria dos padrões de qualidade das coleções
de seus sócios, ministrando cursos de julgamento de plantas e flores,
assim como formando e aperfeiçoando juizes e comissões julgadoras,
inclusive pela elaboração de manual de normas de aferição
de qualidade e de premiação;
g) produzir publicações técnicas, inclusive periódicas;
h) congregar orquidófilos e orquidólogos e estimular o espírito
associativo entre os seus sócios, executando programas de aperfeiçoamento
técnico, assim como atividades sociais em caráter permanente;
i) prestar assistência técnica e científica a quantos
dela necessitem;
j) defender o interesse dos seus associados, no tocante a cultivo, nas
modalidades amadora ou profissional, produção e comércio
de orquídeas e representá-los, sempre que tal se faça
necessário e legítimo, perante autoridades públicas,
juizados e tribunais
Finalidade
É
óbvio que as finalidades estão estreitamente relacionadas
com a função social que a Sociedade vai ou pretende desenvolver
Organização
I.
Modelo atual: estático
II. Modelo futuro: dinâmico
III. ONG
O
custeio da Sociedade. Manual de Sobrevivência
Infelizmente
nenhuma sociedade pode viver só de beleza.
São fontes habituais de receita para as sociedades:
a) contribuição dos sócios;
b) publicidade em revistas e home page;
c) renda de exposições;
Fontes ainda não exploradas:
a) patrocínio de fundos, nacionais e internacionais, de defesa
do meio ambiente e ONGs
b) serviços prestados a terceiros
c) escritório virtual e locação de espaço.
Novos fatores de influência que afetam a organização
A sociedade virtual (exemplo do site Brazilian
Orchids, criado há cerca de sete anos, e com, até agora,
cerca de 310.000 visitantes, o que dá uma média anual de
44.300 pessoas, ou sejam, 3.700 pessoas por mês).
As salas de bate-papo (chat) são um importante e mais eficaz sucedâneo
das reuniões mensais, sobretudo por sua maior abrangência
e universalidade. É de não esquecer, além disso,
as questões de segurança envolvidas, inseguras como andam
as nossas cidades, sobretudo as grandes.
A OrquidaRIO, que tem 2 reuniões mensais, com média de freqüência
de 40 sócios, tem 500 sócios, mas recebeu, desde que criada
sua página na Internet (por volta de 3 anos), visitas de 5036 pessoas,
o que dá uma média anual de +/- 1.678 pessoas e de cerca
de 139 pessoas/mês.
A revista Orquidário, que já tem quase 15 anos de fundada,
é lida por cerca de 3 pessoas cada exemplar. Isto significa que,
a cada edição, 1.500 compulsam a revista dando um total
anual de 6.000 leitores.
É de imaginar como podem ser explorados esses dois poderosos meios
de comunicação.
Linhas
de cultivo
Que
linha de cultivo deve a sociedade estimular?
1. plantas feitas em laboratório;
2. coleta, só quando imperioso por razões de preservação;
3. híbridos, quando o prazer estético vem da variedade de
formas e cores:
a) naturais, quando se tem a garantia de que não houve coleta,
b) artificiais, produzidos por semente ou meristemia.
4. espécies, quando o prazer estético vem, também,
da variedade de formas e cores, mas é mais sutil, devendo estimular-se
a seleção e melhoria genética:
a) uma só ou poucas espécies,
b) muitas.
Importância
do intercâmbio de experiências
Evita
a monotonia e impede que:
a) os assuntos tratados nas reuniões fiquem os mesmos e
b) as coleções tendam à uniformização.
O
que é fundamental numa sociedade orquidófila
O
que parece essencial e fundamental é a sociedade poder dispor de
um orquidário, ou um jardim de orquídeas, onde os sócios
possam ter o contato vivo com as plantas e possam aprender a cuidar delas,
já que os demais assuntos (reuniões, papos, etc.) podem
ser supridos, com vantagem, pela internet.
Chegamos
ao final
Qual
é, enfim, a grande finalidade de uma Sociedade Orquidófila,
uma vez que concluimos que ela não pode pretender:
a) ser uma academia ou exercer o papel da universidade;
b) um herbário, onde as plantas estão mortas, exsicadas
e prensadas;
c) um sucedâneo da Internet.
Depois
desse nosso percurso, só se pode chegar à conclusão
de que a sociedade orquidófila é o lugar onde:
a)
se conhece e toma contato com a planta viva;
b) se conhece e toma contato com o prazer de apreciar flores variadas;
c) onde se aprende a conhecer, apreciar e, sobretudo, distinguir os melhores
padrões de beleza floral e
d) onde se aprende a cultivar e operar o milagre de levar uma planta ao
seu apogeu, isto é, a uma bela floração. |