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TRANSFERÊNCIA
DE ESPÉCIES DE ONCIDIUM PARA O GÊNERO
BAPTISTONIA
Vitorino
de Paiva Castro Neto
Transferência de espécies
de Oncidium para o gênero Baptistonia Barb.
Rodr.
Vitorino de Paiva Castro Neto
Vários gêneros de orquídeas estão
sendo fracionados ou transformados em outros gêneros. Isto
tem uma razão. O gênero Baptistonia era um
gênero de uma única espécie: a Baptistonia
echinata. Este gênero se caracterizava por ser o único
da subtribo Oncidiiniae a possuir o labelo encobrindo
a coluna e não tem nenhuma característica em comum
com os outros gêneros dessa subtribo. Então por
que transferir outros oncídiuns para esse gênero?
Depois do advento dos estudos comparativos das espécies
pela técnica de análise do DNA nuclear ou do cloroplasto
das plantas, foi verificado que muitos oncídiuns eram
mais aparentados com o gênero Baptistonia que propriamente
com o gênero Oncidium. Antes do advento da genética
moderna, os seres vivos eram divididos conforme suas características
filogenéticas. Isto é o que chamamos de Taxonomia.
Nasceu uma ciência chamada cladística que tenta
achar relações de parentesco entre os organismos
que é, atualmente aceita como o melhor método disponível
para a análise filogenética. O estudo cladístico
pode ser feito por análise de DNA ou por análise
morfológica. E como a técnica de análise
do DNA não é uma técnica barata nem
acessível a qualquer um, apenas para os laboratórios
das universidades, foi este último o método que
utilizamos. Existem inclusive programas de computador que auxiliam
este estudo.
Um grupo pegou exemplares do subgrupo de Oncidiinae e
fez análise dos segmentos de DNA das espécies presentes
e com o resultado encontrado fez uma árvore genealógica
deles. O que foi observado nesta árvore é que
numa ponta estavam os oncídiuns estrangeiros e na outra
ponta estavam os oncídiuns brasileiros. No meio da árvore
ficavam as espécies dos gêneros Miltonia, Rodriguezia,
Aspásia, Capanemia e outros. Ou seja: as espécies
brasileiras de Oncidium estavam muito afastadas geneticamente
das demais espécies de Oncidium, portanto não
havia sentido em mantê-los no mesmo gênero.
Então, estipula-se uma série de características
que são comuns entre determinadas espécies, cria-se
um novo gênero e publica-se. Se ninguém contestar,
ele é aceito. Ninguém tem conhecimento suficiente
para fazer a contestação. As orquídeas brasileiras
são muito pouco estudadas e não se sabe nada sobre
elas. A tendência atualmente é fazer grupos baseados
em características monofiléticas.
Quando começamos a fazer o nosso trabalho tínhamos
poucas espécies. Atualmente contamos com 12 espécies
analisadas e incluídas no gênero Baptistonia.
Algumas plantas têm características de ambos os
gêneros, outras não. Por exemplo, algumas orquídeas
produzem possuem uma glândula produtora de óleo
na tabula infraestigmata. Este óleo atrai as abelhas que
o recolhem para fazer a cera que reveste a colméia e então
ocorre a polinização. Nas orquídeas colocadas
no gênero Baptistonia esta glândula não
existe. No Oncidium verdadeiro, as folhas saem da base
do bulbo e em Baptistonia, saem da ponta do bulbo. O Oncidium
baueri é na verdade o único exemplar brasileiro
de Oncidium.
Diversas questões foram propostas em nosso trabalho e,
entre elas, se Baptistonia é um gênero monofilético
e a resposta foi sim. Da mesma maneira, questionou-se se os dados
cladísticos permitem reconhecer grupos internos dentro
deste gênero e, embora existam pequenas diferenças
entre as espécies, é possível. O labelo
com unguículo panduriforme e côncavo está ausente
na Baptistonia sarcodes e na Baptistonia nitida sendo
uma característica do gênero Brasilidium Campacci
(Seção Crispa Rchb. f. ex Pfitzer).
Estudo Cladístico ou filogenético
Do que se trata o estudo filogenético?
Visa encontrar o inter-relacionamento das espécies em
estudo e como se procedeu ao processo evolutivo, procura semelhanças
e diferenças morfológicas entre as espécies
estudadas.
Para que serve? Serve para, usando as semelhanças e diferenças
entre as espécies, obter conhecimento de como se procedeu
a evolução do gênero e das espécies
e quais as características morfológicas que atuaram.
Como pode ser obtido?
A) Pela observação das características morfológicas
como tamanho da flor, forma do pseudobulbo, as inflorescências
e a forma da flor. As espécies podem ser agrupadas de
acordo com as semelhanças morfológicas encontradas.
Estas características morfológicas são previamente
combinadas e quanto maior o número delas mais perto fica
da perfeição.
B) seqüenciamento de DNA. É feito o estudo das bandas
de DNA e quanto maior o número de bandas em comum maior
a proximidade entre as espécies.
Qual o procedimento?
Constrói-se uma matriz de características morfológicas
relacionadas ao táxon (espécie) ou constroi-se
uma matriz das variações e mutações
do DNA.
Vantagens de A e B
A - mais fácil de obter, mas tem resultados inferiores
devido ao menor número de características.
B – A obtenção do equipamento e a realização
das técnicas é o maior impedimento, mas os resultados
são melhores, pois muitas vezes o número de informações
pode chegar a 500. Já aconteceu de ser quase impossível
extrair o DNA de determinada espécie.
Como se procede?
A matriz é em geral alocada em um programa de computador
chamado NEXUS que permite alocar até 10 variantes em uma
categoria. Após a análise a matriz é processada
em um programa chamado PAUP que cria várias árvores
filogenéticas. O resultado do programa é relativo,
pois os resultados são baseados em características
evolutivas. O programa cria várias árvores e finaliza
com a árvore de maior consenso.
RESULTADOS
No caso das espécies de Baptistonia conseguimos
reunir 73 características. Foi dado peso 1 para cada uma
das características morfológicas. Os grupos externos
encontrados com algumas características em em comum foram Brasilidium e Kleberiella.
Espécies: Baptistonia albini, brieniana, cornigera,
cruciata, damacenoi, echinata, gutfreundiana, kautskyi, leinigii,
lietzei, nitida, pabstii, pubes, pulchella, truncata, sarcodes,
silvana, uhlii, velteniana, widgrenii.
Transcrição feita por Maria Aparecida Loures (resumida)
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